sábado, 28 de maio de 2016

O umbigo político

O umbigo político

Das sete maravilhas do mundo
Às vezes ameaçado, por ser belo e fecundo,
Que a mim encanta, oh minha Gioconda!
Esta obra fulgurante -, meu umbigo: meu sol, minha onda!

Será que existe umbigo, que não eu?
Não existe nada no meu ventre, que seja seu!
Sou cético, indiferente -, quanto há umbigos outros, sou ateu.
Sou monoteísta, só existe um umbigo, que a mim se antedeu!

Não posso duvidar – não posso essa fraqueza cultivar.
Tenho que defender: na terra, no ar, no fogo, ou no mar;
Que meu umbigo devem todos conhecer e adorar!
Essa coisa republicana  não cola
Meu umbiguinho de fachada é d'outra escola

É assim que pensa e age o político,
Nesse brasil pequeno, injusto e apocalíptico,
Nesta Terra Sublime -, de povo carneiro e acrítico...

Gessé Antônio de Souza - 02/08/2015

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Rep - Adolescente sinistro

Adolescente sinistro. (rep)

Minha vida, uma história,                                         Provo minha competência,          
Já cansei de moratória.                                           Aceitando a diferença.
Passo por dificuldade,                                            Sem essa de ser esperança,                    
E minha identidade...?                                            Só quero marcar presença.
- É preciso paciência e sensibilidade.                       Chega de indiferença,
                                                                             Essa é a nossa crença!
Vê-se na mídia todo o dia,                                 
O consumo e a rebeldia.                                           Forte e fraco - ambivalente.
Então, canalizo a energia,                                         Consciente e inconsciente.
Isso é a minha alquimia,                                            Palavrão? A vida é um tesão!    
Mas viver não é magia...                                            Também sou comunicação.
                                                                               Aceita a nossa comunhão?
Tá sinistro tá sinistro                                                 E deixa eu ser adolescente!         
Não aguento nada disso,    (refrão)
Quero ser protagonista.

Nossa vida, nossa história.
Mano..., busque ser resiliente,
Nossa tribo é competente!
E aí, sangue bom!
Sinistro é ser diferente,
Esse é o nosso tom.



Gessé Antônio de Souza – 10/04/2006

Água

Água

Não sei se a água é deusa, ou um titã...
Sei que na terra está presente em qualquer lugar!
Sem oxigênio vidas houve e haverá – isso se pode afirmar!
Sem água, nenhum ser vivo vive ou viverá.

A água não é viva, ou será?
Mas sem água, vida não há.
A Ciência diz que a vida começa no DNA...
Ou começa na água primeira e expandir-se-á?

A água; em seus três estados, no seu afã...
É História, conserva a vida e faz memória.
A água, enquanto pedala a serra ou no solo percola
Faz a mina, molha, esfria, esquenta, dessedenta, evapora, rola...

A água faz a nuvem, condensa e chove.
Cuide da água no céu, na terra, nos oceanos ou no ar!
Porque água é vida, que começou no mar.
Dúvida? Tire a prova dos nove, se não cuidar da água -, MORRE.
                                                              Gessé Antônio de Souza 22/10/15   

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Amor Humano

Amor Humano           

                                                                           
       Esfumam-se as águas em Ubatuba
                     Sacodem-se às canas no berçário
                            Lá no mar aberto d’além deste aquário
                                                          Duas gaivotas em Piratuba.

                         Que amor perturbador!
                                                                               Erótico, como a flor
           Umedecido pelo vapor que ascende ao mar
                                          Pelas correntes ascendentes do aquecido ar.

                  O sol aquece, o amor esquenta à vapor
Tão sublime e suplicante amor!
          Eu vi as gaivotas subindo e descendo como uma só
                                     Parecia  rede de plumas tecida  sem  nó.

                                           As  gaivotas   -    uma só  -,    voava   lentamente
    Voava, vinha perto, distanciava miúda no infinito azul
               Transformavam-se em poesia no horizonte imanente
                    Lá aonde o céu se encontra com o mar na vaga sul.

                                                                  Eu vi uma gaivota humana, eu vi
                                                     Cá da areia humana, eu vi
                       Enquanto o vento soprava, urrava, eu vi
            Enquanto o mar chicoteava e dava surras na areia, eu vi.

                                                                                Enquanto o mar soluçava nervoso, eu vi
                                                                       Enquanto eu chorava, eu vi
                                      Vi cair como uma pedra este amor insano
 Vi o drama, vi o fim de um sonho, o fim de um amor humano.

                                               Gessé Antônio de Souza -27/12 /2013

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Esperança ao vento.

Esperança ao vento

... e veio um vento;
Que carregou o meu chapéu.
E outro vento -, carregou meu pensamento.
Sem pensamento, mais um vento,
Que me levou pras nuvens e me lambuzou de mel.

Não sei se vento ou pensamento, em ilhéu:
Levou o meu corcel, o meu anel, rodopiou o meu troféu,
Evaporou o meu dinheiro, derrubou-me no banheiro,
Carregou meu fogo e consumiu o meu isqueiro.

E mais um vento, que me jogou no cimento,
E um tornado retorceu-me no tormento.
Outro vento, ciumento
- eu te arrebento!

Diante da ventania, tudo falha.
Fiquei leve como a palha,
E pensei que ia para o beleléu.
Então, vi a cruz e cri na luz, no amor que é Jesus,
E metamorfoseando, fui sarando e sugado para no céu.

                              Gessé Antônio de Souza: 13/12/2015

terça-feira, 3 de maio de 2016

Escola e viola



 Escola e viola

No vale, entre as montanhas,
Escutei o doce canto da escola.
Uma cantava perto de mim,
Outras do outro lado da montanha.
Todas cantavam o canto da roça,
Irmanadas aos brios da mesma afinação.

Nunca vi tanta viola,
E uma só canção...
Diferente como as flores, afinada ao violão,
Que parecia pétala de uma só corola - verdadeiro show de bola.
Viam-se cantos na estrada e outros no terreirão
Um sopro etéreo as afinava ao mesmo diapasão.

Escola, doce viola da educação!
Vá às cidades, violando com o coração,
Bailando, e perfumando à sedução.
Conquiste a violência ensinando,
Resgate com indignação, toda a corrupção!
Derrote as rivais, com sublime compaixão.

Escola! Escola! Como roda de viola,
Silencie a violência: do Oiapoque ao Chuí,
Da Zona Sul à Baixada,
Do Plano Piloto à Esplanada.
Salve a cauda, as asas.
Salve o Brasil do incêndio de corrupção!

Gessé Antônio de Souza: 20/04/2006