terça-feira, 26 de abril de 2016

Parousia Abayomi



Parousia  Abayomi


Crianças chorando, no navio negreiro - desamparadas!

Doces e inocentes almas engaioladas!

Às vagas, no porão da embarcação desalmada

A espada cortante perfura a alma pura – desatinada.



A mãe sente a dor desesperada! 

- Que posso fazer para salvar meu filho? ...

Nesse cruel deserto d‘água cálida

Sou andor deambulante e andarilho!



Oh Deus do céu! Ouça o gemido maternal -, simpatizante! ...

Um raio de inteligência cai como faísca iluminante

Vou rasgar minhas roupas e somente com o coração

Farei uma boneca, sem nada ter às mãos -, que emoção!


No deleite do encontro precioso

Tece as mãos o artefato carinhoso!

E emergem das mãos bonecas miss 

Que se chamaram Abayomis.


A solução mágica do amor materno

Torna a tormenta em momento eterno!

E a luz cândida e pura entra no porão escuro

E as abayomis vencem o choro, derrubando o muro. 
                                     

              Gessé Antônio de Souza - 10/04/2015                                        

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Muitas Moradas



Muitas
Moradas
 
Há lugar para o peixe,

Há lugar para a ema.

Há lugar para todos no ecossistema.


Que cada ser vivo deixe:

Que haja encontro e afinação

E que toda biota faça adaptação.


Pra que picuinha ou querela,

Se há vastidão e natural acomodação

Para que todos possam existir como são?


As mãos da natureza tudo tutela,
Não havendo lugar para a discriminação.
Assim, na terra, toda morada pode ser bela!

A riqueza biológica ou a cultural
Firmam-se, espraiam-se: na diversidade ambiental,
Na beleza do corpo e da alma, na ética e na moral.
                                                                  Gessé Antônio de Souza: 13-07-2012

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O fazer do não feito

O fazer do não feito

Ao homem não basta a vida...
Por que a biologia é pouca?
Porque se bastasse na lida
A vida não seria louca.

A história deriva da falta
A agricultura, a pintura, a arquitetura...
Todas as culturas e artes tangem à ribalta
Porque a vida é tangente à desventura.

O homem faz a indústria
A indústria faz o homem
Mona Lisa foi feita à Da Vince
Da Vince feito à Mona Lisa.

Como segregar o feito do efeito?
Se o feito é sempre do imperfeito!
Se o imperfeito se redime no feito!
Até que o não feito não seja mais sujeito.

E decretou-se o fim da desventura
Inaugurou-se o reino monótono da ventura
Chegou o fim da angústia e da humana glória
E emudeceu a vida no silêncio da história.

Gessé Antônio de Souza – 05/06/2015

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O Ver da Fé




O Ver da 

Vi a caveira da guerra
Vi os corpos na terra
Vi e não vi...
Porque o meu ver não vê.

Vi a caveira da fome
Vi o verme que come
Vi e não vi...
Porque o meu ver não vê.

Vi a fumaça do canhão
Vi crianças mortas no chão
Vi e não vi...
Porque o meu ver não vê.

Vi o homem sair do campo
Vi o homem perder seu canto
Vi e não vi...
Porque o meu ver não vê.

Vi o homem virar malandro
Vi doído esse homem virar bandido
Vi e não vi...
Porque o meu ver não vê.

Vi do bico da arma o fumo
Vi a mãe gritar sem rumo
Vi e não vi...
Porque o meu ver não quer ver.

Vi atrevido o grito da alma
Vi e vivi no silêncio e na calma
Que há um sentido para além
Que dá razão àquilo que não tem.

                                                                                 Gessé Antônio de Souza - 12/03/2015

Parada obrigatória



Parada obrigatória

Procura-se o sinal, alucinadamente
Porque este signo é semente
É parada inaudita -, obrigatória
Para quem no caminho quer história.

Feliz quem identifica o referencial
Que a duras penas vislumbra o local
Aonde a luz permite lobrigar
Visando o ponto cardeal plugar.

Nas veredas e circunvoluções vitais
São muitos os pontos cardeais
São paradas obrigatórias
Para  protagonistas da história.

Reconhecer a parada obrigatória
Nos meandros e nos cipoais, sem retórica
Ir caminhando até outra, além
Eis o devir do viver bem.

As trilhas continuam quais pegadas nas ruas
Há que dar nome às pegadas suas
Com sabedoria colija o caminho
Tendo a parada obrigatória no escaninho.

                                                                                    Gessé Antônio de Souza - 20/02/14