Parousia
Abayomi
Crianças
chorando, no navio negreiro - desamparadas!
Doces
e inocentes almas engaioladas!
Às
vagas, no porão da embarcação desalmada
A
espada cortante perfura a alma pura – desatinada.
A
mãe sente a dor desesperada!
-
Que posso fazer para salvar meu filho? ...
Nesse
cruel deserto d‘água cálida
Sou
andor deambulante e andarilho!
Oh
Deus do céu! Ouça o gemido maternal -, simpatizante! ...
Um
raio de inteligência cai como faísca iluminante
Vou
rasgar minhas roupas e somente com o coração
Farei
uma boneca, sem nada ter às mãos -, que emoção!
No
deleite do encontro precioso
Tece as mãos o artefato carinhoso!
E
emergem das mãos bonecas miss
Que
se chamaram Abayomis.
A
solução mágica do amor materno
Torna
a tormenta em momento eterno!
E
a luz cândida e pura entra no porão escuro
E
as abayomis vencem o choro, derrubando o muro.
Gessé
Antônio de Souza - 10/04/2015
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEsta poesia interpreta o apartheid sofrido pelas mães negras, durante a viagem da África ao Brasil, nos porões dos navios negreiros -, origem das bonecas Abayomis.
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