terça-feira, 26 de abril de 2016

Parousia Abayomi



Parousia  Abayomi


Crianças chorando, no navio negreiro - desamparadas!

Doces e inocentes almas engaioladas!

Às vagas, no porão da embarcação desalmada

A espada cortante perfura a alma pura – desatinada.



A mãe sente a dor desesperada! 

- Que posso fazer para salvar meu filho? ...

Nesse cruel deserto d‘água cálida

Sou andor deambulante e andarilho!



Oh Deus do céu! Ouça o gemido maternal -, simpatizante! ...

Um raio de inteligência cai como faísca iluminante

Vou rasgar minhas roupas e somente com o coração

Farei uma boneca, sem nada ter às mãos -, que emoção!


No deleite do encontro precioso

Tece as mãos o artefato carinhoso!

E emergem das mãos bonecas miss 

Que se chamaram Abayomis.


A solução mágica do amor materno

Torna a tormenta em momento eterno!

E a luz cândida e pura entra no porão escuro

E as abayomis vencem o choro, derrubando o muro. 
                                     

              Gessé Antônio de Souza - 10/04/2015                                        

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Esta poesia interpreta o apartheid sofrido pelas mães negras, durante a viagem da África ao Brasil, nos porões dos navios negreiros -, origem das bonecas Abayomis.

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