quinta-feira, 27 de julho de 2017

Choro na via



Choro na via


Vi um automóvel voando feito asterisco

Não sei se áster cadente ou avião

Passou vermelho feito risco de curisco

Jato de gasolina plus, adrenalina e emoção!


Vi o automóvel emoção, flutuar-se ao chão

Vi a adrenalina, vi o menino e a menina

Vi a mãe e o pai debruçados, sem ação

Vi um filete de sangue quente escorrendo pela mão.


Sangue inocente e culpado, paradoxalmente misturados

Sangue puro e bom, escorrendo meio que sem jeito, pelo peito

Não sei meu Deus! - Foi a sina ou a imprudência assassina?

Eu sei que se perdeu vida, vejo a orfandade da menina.
 

Vejo seu pranto sujo de lágrima, de terra e capim

Que perfura meu coração, de modo tão ruim!

Por qual razão, neste instante, estou aqui

Se Isso jamais é cena pra mim!

Gessé Antônio de Souza – 16/07/2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

Exudatos do pensamento




1-   Nenhum homem é uma ilha em si mesmo… A morte, o sofrimento, a miséria e a ignorância de qualquer homem me diminuem, porque estou envolvido na humanidade, e portanto, nunca procuro julgar ninguém, procuro antes, me sentir humano.
                               
2-  A humanidade tem muita dificuldade em sacrificar o presente em favor do futuro, esquecendo-se que o futuro será de algum modo, o presente amanhã. Por isso, a fé e a esperança são cardeais em qualquer projeto de vida.

3-     Verdadeiramente tolo é aquele que ao plantar abóboras espera colher batatas.

4-   Não permita que os olhos míopes e invejosos dos outros perturbem a envergadura de suas asas e a grandeza de sua visão, porque cada um tem seus próprios olhos e vê o que deseja ver, à sua maneira.

5-  A água desce as montanhas escandindo o solo, sem saber para onde vai. Vai serpenteando, contornando, dando de si e recebendo em si. Às vezes pura, ora impura, assim se depura para matar a secura de todos que a procuram, dando-lhes vida. Meu Deus, as criancinhas são oitenta por cento, água; cem por cento, amor - aquelas à procura do mar, estas pequenas doçuras à procura do verbo Amar.



quinta-feira, 6 de julho de 2017

A esfola




A esfola do coração

A escola
Uns alunos
Um riacho, sem alevino...

Uma pedra
Um silêncio
Um pátio, sem menino
Uns corpos 
Uma janela estreita, distante, baldada...

Parede e muro
Perdidos e silenciosamente uivantes
Assoreado e sem peixe
Velha e lascada – "páleo lithos" pedagógico
Triste, cortante e frio
Vazio e sem bola
Zumbis catatônicos
Meio aberta e meio fechada.

Pátria educadora, sem escola
Sem futuro, que muito dura
Que duro!
Que esfola e degola minha esperança...
Meu Deus, que brasil sem ação
Que machuca e molesta a alma do meu coração! 


Gessé Antônio de Souza – 15/06/2017