quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Ilusões

Ilusões


Ainda menino, de corpo esguio e fino...

Foi quando olhei para os céus
Que pareciam favos de mel
E vi nuvens brancas como véus
Lá na cabeça da montanha parodiando ilhéus.

Ainda menino, lancei um olhar como tiro
Quando nesse cenário distante, olhava o pasto verdejante
Crivado de ovelhas gordas e delirantes, pastejantes
Que me faziam caminhar vibrante, rumo àquele retiro.

Caminhei meio que sem rumo
Caminhei deslumbrado e inseguro
E com pensamento fito e puro
Atarantado na trilha, ainda assim, andejei prumo.

Quando subi a montanha o céu se foi num plim-plim
Quando caminhei rumo ao pasto
Nenhuma ovelha vi, senão morto cupim
Assim, perdi minha infância, com muito desgasto.

De ilusões em ilusões, a vida se vai
Vai a infância, a mocidade
Chega a idade
E tudo se cai.

Gessé Antônio de Souza - 23/08/2016. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A vida sempre começa em um ninho


 A
vida sempre
começa em um ninho!

É no ninho da galinha da angola?
Ou no ninho do tico-tico na escola?
Pode ser no ninho do Furnarius rufus (João-de-barro)
Pode ser em qualquer ninho d’um casal pangola
Ou pode ser num ninho cheio de arrufos.

A vida sempre começa em um ninho!
Num ninho seguro, no galho mais alto
Num ninho sofisticado ou mesquinho
Num ninho da galinha maluca, no asfalto
Num ninho frio ou gostoso e quentinho.

A vida sempre começa em um ninho!
Tem ninho do martim-pescador
Tem ninho do pescador Martinho
Tem ninho de plumas ou de espinho
Tem ninho; de joão-graveteiro, coleiro ou canarinho.

A vida sempre começa em um ninho!
Que pode ser na água, que pode ser na terra
Que pode ser no vale, que pode ser na serra
Que pode ser de minhoca ou ser ninho de pipoca
Que pode ser do tipo; gangorra, gorra ou piorra.

A vida sempre começa em um ninho!
Há ninhos de cor, têm ninhos de dor
Há ninhos variados, há ninhos perfeitos
Há milhares de ninhos biologicamente conceitos
ninhos feitos devagarzinho, com muita arte e primor.

Ah meu Deus! Por que entre os homens há ninhos de horror?
Ninhos de fora, ninhos de dentro, ninhos de guerra, ninhos famélicos de alimento?
Ninhos de aurora desfeitos, ninhos que morrem antes mesmo de nascer! Por que, Senhor?
- Porque ainda falta aos homens; respeito, ética, sabedoria e conhecimento.
Falta-lhes o ninho da manjedoura -, a virtude principal que emana do Natal – O Amor.
Amor
Amor
Amor, Amor, Amor, Amor, Amor
Amor
Amor
Amor
Amor
Amor
Amor
Amor
                                                                                                                            Gessé Antônio de Souza – 02/11/2014                        

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Vida e Morte

Vida e Morte

Plangeu-me à morte o óbito do minuto
Alegrou-me muito o minuto que nascia.
Chorei enquanto morria a hora
Alegrou-me às tanajuras a hora que nascia
Lastimei à morte a morte do dia...
E alegrou-me à criança o dia que nascia.

Chora-se com choro de morte a morte da semana
Para alegrar-se de renovo na semana nascente.
Chora-se copiosamente o mês fenescente -, poente
Para alegrar-se festivamente o mês oriente.
Choraminga-se triste o ano velho e moribundo
E alegra-se delirantemente o ano novo e mui fecundo.

Meu coração chorou muito na sístole
Por causa do sangue que perdia
Para alegra-se na diástole
O sangue que recebia.
Ao nascer, chorei o útero que me partia
Porque para ele eu não nasceria.

Morreu minha infância e transformou-se em poesia
Nasceu a adolescência, cheia de fantasia
Também ela morreu delirante, em medonha agonia...
E nasceu o adulto de indulto, que se extasia
Ao voar, meio que perdido, à cotovia.

No pêndulo do nascimento e da morte
Balança a mesma vida.
Na onda azul do mar
Veem-se uma crista emersa e outra submersa
Que se esfumam com fervor no mesmo cais.
Morte-vida são asas vivas da vida
São antípodas alucinadas da existência alada
Que com asas d’águia e com narinas de corcel busca-se o céu -, a Essência – Deus.

Gessé Antônio de Souza – 10/12/2013


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Mosaico Filosófico - Pensamentos/parte 1

Estamos postando alguns pensamentos. Nossa proposta é postar  mais ou menos dez pensamentos por semana. Espero que gostem.


1-     No processo de desenvolvimento, o que foi indispensável num dado momento pode ser entulho, em outro. Há muita ciência em reconhecer as coisas e os tempos, saber ganhar e perder no tempo certo.

2-     O pintainho após romper-se da casca do ovo não se livra imediatamente dos odores, ao contrário, muita energia e tempo são exigidos, até que o mesmo possa livrar-se plenamente dos cheiros do ovo que lhe deu origem.

3-     Considerando a Verdade (Deus) um conceito absoluto e infinito, decorre que o homem, por ser finito, não pode ser proprietário da mesma. Apenas pode portar verdades circunstanciais que têm valor, se são sementes para verdades superiores.

4-     O que mais nos preocupa não é o fato de não alcançarmos o impossível, mas o fato de não sermos capazes de tornar possível o alcançável.

5-     Livre é o indivíduo capaz de dizer sim e dizer não em favor da vida, pois decorrem da própria vida a liberdade e sabedoria de viver.

6-     É imperioso que a cultura humana não se ponha contra a vida, pois esta é raiz e caule, aquela - não obstante a beleza - somente folhas e flores.

7-   O narcisismo e o medo fazem da morte um fato futuro, quando na verdade é um fato presente. A cada dia, parte da vida converte-se em morte, considerando que as células morrem diariamente.

8-    O homem tolo retém o que pode perder, todavia, o homem sábio perde sabiamente o que pode perder ciente que todo ganho é precedido de perdas.

9-  O investimento energético na reprodução é altíssimo e prioritário, por isso, entre os homens, é comum faltar inteligência no ato da reprodução.

10- Os ateus e os religiosos se parecem em suas crenças. O ateu crê que o Universo surgiu do nada ou sempre existiu. O religioso crê que Deus surgiu do nada ou sempre existiu. O ateu vê somente a obra, o religioso somente o autor. Falta a ambos a visão dialógica, quando autor e obra se confundem perfeitamente. 

Alguns pensamentos de um pensa-dor, que não sabe se pensa ou se pensa a dor. Todavia, que se não pense a dor, que se esqueça o pensamento do pensador, quiçá, o próprio pensador. 

                                                                                                                   Gessé Antônio de Souza