Ilusões
Ainda menino,
de corpo esguio e fino...
Foi quando olhei para os céus
Que pareciam favos de mel
E vi nuvens brancas como véus
Lá na cabeça da montanha parodiando ilhéus.
Ainda menino, lancei um olhar como tiro
Quando nesse cenário distante, olhava o pasto
verdejante
Crivado de ovelhas gordas e delirantes, pastejantes
Que me faziam caminhar vibrante, rumo àquele retiro.
Caminhei meio que sem rumo
Caminhei deslumbrado e inseguro
E com pensamento fito e puro
Atarantado na trilha, ainda assim, andejei prumo.
Quando subi a montanha o céu se foi num plim-plim
Quando caminhei rumo ao pasto
Nenhuma ovelha vi, senão morto cupim
Assim, perdi minha infância, com muito desgasto.
De ilusões em ilusões, a vida se vai
Vai a infância, a mocidade
Chega a idade
E tudo se cai.
Gessé Antônio de Souza - 23/08/2016.