segunda-feira, 28 de março de 2016

O velho sapo.

          O velho sapo.


O velho sapo, na lagoa,
Vivia sempre à toa.
Pensava que era o dono,
Da maior coroa,
E mui feliz dormia seu sono!

De repente, sapeando, ao poço chegou...
Um sapo novo, que coaxou.
O velho sapo acordou,
No meio do poço se postou,
E mui empinado, perguntou.

 - Donde vem, senhor?
Você é muito impostor.
-Venho do mar, amigo!
Um lugar mais largo e comprido.
-Não existe nada maior-, atrevido!

Assim, o sapo noviço,
Calou-se e disse:
 - Que tenho eu com isso!
Não vale a pena quermesse,
Com quem um só poço conhece.



                                                                         Gessé Antônio de Souza – 03/09/2008

quarta-feira, 23 de março de 2016

Vidas

Vidas.

A vida é primavera.

A vida é verão.

Planta-se numa quimera,

Colhe-se noutra estação.


A vida é outono.

 Cada revolução é preparação.

A vida é um ano,

É vento de monção.


A vida é inverno.

É momento de apuração...

Deixam-se os vaidosos campos de plantação,

 E busca-se – reflexão, simplicidade, sabedoria – o eterno.


Será fácil ao inverno compreender o verão?
Assim, o adolescente em turbilhão,
Pode perder-se nas brumas da atmosfera,
Nos contornos turbulentos da emoção.


                                                Gessé Antônio de Souza: 07/08/2005

terça-feira, 22 de março de 2016

A Poluição Ambiental.

A Poluição Ambiental

O Agente Ambiental sai:
A soltar os pássaros,
A soltar as pacas,
A soltar os sanhaços e os sabiás.
Solta os trinca-ferros,
Os canários-da-terra...
Solta os gambás e os tamanduás.

O Agente sai veloz cumprindo o seu dever,
Expandindo o eco da liberdade ingênua.
Esfalfado arauto da vida, do meio ambiente!
Anda alígero pelas florestas, sobe as serras e riachos,
Prende; os pescadores, os cortadores, as varinhas de anzol.
Prende os peixinhos e os priva do rio e do sol.

Oh mísero, que livre arbítrio já não tem mais!
Tornou-se simulacro da liberdade – sofisma ambiental.
Converteu-se em ideologia deambulante que cega a reflexão.
Enquanto solta o passarinho, a paca e o canarinho,
Enquanto espadeira à Quixote a poluição,
Certamente não tenha liberdade na gaiola em que habita.

A poluição primeira – oh mísero ambientalista!
Não é ambiental, é voçoroca humana.
É poluição ética, é poluição política,
É poluição da emoção e da cognição,
É poluição da alma e do coração,
É poluição educacional,
É poluição moral.

Gessé Antônio de Souza – 12/02/2000.