quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

identidade


Identidade

Será que posso ser você, ainda que por alguns instantes?
Poder-se-á você ser eu, por um momento, ainda que urgente?
Será que tu e eu poderemos ser você, todavia permanente?
Ou será que - eu, tu e você - fusionados -  poder-se-á ser nós, entretanto consoantes?

Será que, num dado momento me pode, não ser eu e ser tu?
E se eu for tu por um instante, ainda assim serei eu?
Ou seremos todos mosaicos hesitantes numa quimera delirante?
Será que eu, ao ser tu e você, não serei um monstro permanente ou delinquente?

Talvez inconsequente ou doente de mente
Veja o mundo misturado, endemoninhado e incongruente!
Contudo, se tudo devidamente digerido, absorvido e elaborado na cabeça e no  coração
Tudo será alimento para o desenvolvimento saudável do corpo e da emoção

Assim que, nada vale e muito se pena, se a alma é mesquinha e pequena
Porque para a alma grande, tudo vale à pena
Oxalá, que o cérebro inteligente imite a inteligência do intestino
Porque para ser sarado, tudo que é ruim deva ser evacuado!

Gessé Antônio de Souza -20/11/2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Mosaico filosófico 04

1-     Nunca vemos a realidade, vemos apenas sua imagem distorcida nos cristais da emoção.

2-     Solução e problema são antípodas da equilibração humana. Todo problema gera alguma solução e toda solução é geradora de novos problemas.

3-      Maldizer um problema é queimar as preciosas energias necessárias à solução, e em si queimando na maldição, a energia sendo pouca, não será suficiente à resolução do mesmo.

4-     O Amor é firme como a rocha, mas o Amor Verdadeiro é como o vulcão, que até a rocha abala, amolece e se transformam, proclamando a vida.

5-     Que seu coração seja como uma pipa e sua razão como uma criança. Pipa para que possa voar livremente, e criança para que através da tênue linha da vida, possa guiar seu próprio destino.

6-     Outrora se dizia: penso, logo existo. Hoje se diz: compro e sou comprado, logo existo.

7-     O finito e o infinito se confundem sempre que o finito conectar-se ao infinito. Assim, o infinito resolve sua infinitude na finitude e o finito torna-se infinito na simultaneidade infinita do Amor de Deus.

8-     A verdade é uma gema arrancada do solo cultural, que deve ser polida nas oficinas da justiça. Que tipo de obra se fará dessa pedra, dependerá sempre da grandeza de um povo e de sua justiça.

9-     Se eu for apenas eu, então não sou. Se porventura eu for simultaneamente, eu com você na rede única da vida seremos eternos.

0- Penso que o Universo tem a mesma essência de Deus, nunca foi criado, nunca será destruído. Apenas se configura de modo permanente, tal que, cada big beng nada mais é que uma determinada configuração do próprio Universo.

 Alguns pensamentos de um pensa-dor, que não sabe se pensa ou se pensa a dor. Todavia, que se não pense a dor, que se esqueça o pensamento do pensador, quiçá, o próprio pensador. 


                                                                                                                   Gessé Antônio de Souza/2012


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Adolescente angústia





Adolescente
Angústia


Essa angústia é uma angústia, sem alienação

Que se angustia completamente, sem se angustiar

É tormenta forte que não deixa de atormentar

É redemoinho que gira, sem tontear

Que arrebata a gente no ar!

Por que sem angústia não há capacidade para criar?
A vida paciente no cavilar, nos impõe angústia com astúcia
Porque na astúcia da angústia, se tem como chegar ao bom lugar
A angústia é poiesis da poesia, que fecunda a criação!
Que dilata e contrai as veias e as cordas do coração
Que  faz vibrar  os  neurônios  da  emoção
É ferrão mordaz que morde de amor
Produzindo movimentação
Em direção
Ao
!
Ser humano: adulto, completo, repleto, concreto e discreto!
Assim, poder-se-á ser inteiro, sem nada excluir ou exagerar
Sendo todo em cada coisa, conquanto se ponha tudo
 No mínimo que se faz, por que em cada outro brilha:
A adultez, o amor, o respeito e a luz do coração - porque alto se faz.


                                                  Gessé Antônio de Souza 10/11/2016

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mosaico Filosófico/03

Mosaico Filosófico/parte 03

1-        Um pouco; de fumaça, de penumbra, são sempre desejados por quem tem medo de luz. Contudo, não é da luz que as pessoas têm medo, elas temem que sejam vistas. 

2-      Não se preocupe com a profundidade que uma minhoca pode cavar, nem com o gabarito de seu percurso. Cada ser tem sua profundidade e sua maneira de caminhar.

3-      Conhecemos Deus através de sua Obra. Não podemos adorar Deus e profanar sua Obra.

4-      O homem é imagem e semelhança de Deus, enquanto dimensão criadora. Portanto, sendo o homem desconhecido, se faz conhecido, através de suas ações.

5-      Como enxergaremos o futuro, se somos a cada dia, ensinados a ver múmias no jazigo do passado?

6-      O dia não é mais dia nem menos dia, apenas há dias em que se vê diferentemente o dia.

7-      Um copo d’água é leve, se o seguramos por uma hora. Se, no entanto, o segurarmos por uma semana, pesará muito. Portanto, o peso das coisas pode residir muito mais no jeito de segurar, que na própria coisa.

8-      Para ser religioso, não é preciso ter Deus dentro de si, basta apenas o possível - que Deus nos tenha em Si.

9-      Toda dificuldade traz consigo uma oportunidade quiral. Quando a dificuldade entrar por uma porta, cuide para que a oportunidade não saia por outra.

10-  O homem não tem acesso à plenitude da realidade, apenas oscila em torno dela, ora otimista, ora pessimista, propagando-se na vida de modo vibratório, às vezes, como a música.


 Alguns pensamentos de um pensa-dor, que não sabe se pensa ou se pensa a dor. Todavia, que se não pense a dor, que se esqueça o pensamento do pensador, quiçá, o próprio pensador. 

                                                                                                                   Gessé Antônio de Souza



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Humildade


Humildade

Guie-se pelo amor e pela humildade
Porque há razões que a razão desconhece
Há mundos distantes, em que o sentido fenece
Porque vidas e corações há, que se fazem na complexidade.

O saber pequeno pode ser grande
E  o  grande saber pode  ser  pequeno
Porque  na  infinitude, tudo  se faz   pequeno
E o pequeno que se vê grande, nada mais é, que miniatura
E o grande que se percebe pequeno, certamente tem estatura.

A alma grande é alma humilde
Porque do húmus nascem esperanças
 Que conduzem ao futuro com robusto verdor
Assim, onde há amor e humildade o passado é atualizado
E tudo, ainda que podre, pode transformar-se em vida ética e épica
De muito, muitíssimo valor –, graça  da  Humildade  e  da catexia do Amor!

                                                                         Gessé Antônio de Souza – 27/10/2016


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A tragédia de Demokey

A tragédia de Demokey


    Há muitos anos, na Via Láctea, mais exatamente numa estrela chamada sol, precisamente num planeta chamado Terra e pontualmente numa ilha cujo nome ainda não se sabe; parei meu telescópio - depois de escandir toda a galáxia -, para examinar algo inusitado: Uma batalha entre duas tribos bestiais. Antes, porém, que me perguntem, ou para evitar confusões inúteis, esclareço que as tribos, as que refiro - não se constituem de asininos, mas se fazem de humanoides; bestificados, desajeitados, emblemáticos, paradoxais, paroxísticos, incongruentes, ignorantes...
         Dirigindo para a Terra as lentes do SKA – Square Kilometre Array ou o similar JWST – James Webb Space Telescope, que temos ambos em nosso planeta, aliás, sucatas antigas que servem de brinquedos para meninos iniciantes em cosmologia -, é possível se ver, com alta resolução, detalhes das batalhas bestiais imemoráveis dos humanoides terrícolas. Utilizando-se os nossos telescópios modernos, podem-se ver detalhes ainda maiores, que nos fazem captar o caos mental e a desorganização cognitiva daqueles míseros viventes que habitam a superfície telúrica. Parecem que tais humanoides são partículas submetidas a altas pressões, que colidem umas às outras, o tempo todo, tendo picos de colisões decorrentes das altas dinâmicas das aludidas partículas, que pela tensão cinética, transformam-se em humanoides bestiais. Parece que, com o aumento das colisões, tais partículas se dividem exponencialmente, determinando polos de altas tensões autodestrutivos. Nuvens de partículas instáveis migram de região em região, como poeira cósmica, só não são cósmicas por causa da gravidade do planeta Terra e pela gravidade da situação dos humanoides.
    Nossas antenas radiotelescópicas associadas a microprocessadores spintrônicos captaram sons vindos da Terra, que juntamente com as imagens obtidas pelo SKA demonstram a luta pelo poder e as guerras que fazem parte da história dos humanoides daquele planeta. Utilizando uma nomenclatura análoga adotada no Planeta Terra para seres vivos, poderemos denominar esses humanoides de Humanopatas terríficus, sendo que, algumas tribos são classificadas pela sua periculosidade e egocentrismo, e por isso, são denominados de: Humanopatas terríficus delinques e Humanopatas terríficus corruptus. Examinando a curva reprodutiva dessas últimas tribos, se percebe que os indivíduos vivem pouco e reproduzem muito, principalmente os representantes da tribo delinques.
       Passaram-se milênios e esses humanoides aprenderam muitas coisas, porém o que existe de mais paradoxal na aprendizagem de tais humanoides é que eles não aprendem com a história – por isso, eles brigam continuamente, sangram uns aos outros, se matam o tempo todo e não entraram ainda em extinção porque são muito reprodutivos e prolíferos. Até hoje eles não compreenderam as leis da cooperação.
       Toda essa estranha dinâmica dos humanoides se dá por causa do poder, pelo desejo de dominação e sujeição do outro. Para isso, inventam; ideologias, religiões, mitos, leis, raças, cor, posição geográfica e questões anatômicas e de gênero, modelos, idealizações, preconceitos e etc. Em síntese, qualquer diferença pode ser critério ideológico para determinar quem tem direito a ingressar ou permanecer na categoria de dominadores; ora por direito natural, ora por direito legal, ora por direito divino.
      É tamanha a loucura dos humanoides que poderá surgir, em qualquer momento, um líder guerreiro, que depois de vencer muitas batalhas e guerras, corando; os rios de sangue, as montanhas de dor e os vales de horror - ficar sozinho no planeta Terra.  Essa besta, que segundo o livro sagrado dos cristãos assemelha-se a uma potranca fogosa, carrega a marca 666 na testa ou na mão. Na testa, para pensar besteira, na mão, para fazer parvoíces e bestialidades. Essa fera, que na Terra se chama Besta 666, vou denominá-la de Demokey, porque nunca aprendeu com a história, nem com Pirro da Grécia, que ao ganhar a batalha de Heraclea contra Roma, suspirou - Mais outra vitória como esta estarei completamente arruinado. Parece que Pirro não era um pirralho cognitivo entre os brutos terráqueos.
        Demokey depois de olhar para todos os lados perceberá tardiamente que sua absoluta vitória foi simultaneamente a sua trágica e fatal derrota. O fato, e principalmente a tragédia, fazem até a mula -, que nunca pensa - pensar.  Ninguém vive no planeta Terra e em qualquer lugar do Universo, na solidão, pois a existência material estará sempre ligada pelo vínculo da gravidade, e do magnetismo. A vida, para além da gravidade e do magnetismo, liga-se pelo vínculo invisível da espiritualidade, cujo escopo culmina na organização da rede da vida que a priori perfaz a dimensão inextrincável do Cosmos.
    Para não ver o fim da civilização dos humanóides terráqueos, vou desligar meu telescópio ou dirigi-lo para a imensidão do Universo.
           
 Gessé Antônio de Souza 18/10/2016..

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O Nó do Sinhô

O Nó do Sinhô
                     
                       

Se a água de medo congelar

                             As pedras do moinho hão de grimpar

                                                 E o milho não será fubá.

                                  E as quitandas da Sinhá?


                                             Se o moinho parar

Cadê o angu da senzala

                      A broa de fubá do Zé

   E a canjiquinha do Mané?


                                               Se a água de medo congelar

                                    O milho no paiol vai ficar

               Os bacurins na senzala hão de chorar

                               E os ratos hão de cantar.


                                       E o Sinhô, o que fará?

             Safadará e safará, safadamente,

                                            Completa-mente,

                                                                             Política-mente?
                                            
                                                                                                    Mente.



                                                                             Gessé Antônio de Souza – 11/03/2009

A minhoca que aprendeu a ler

A minhoca que aprendeu a ler.

Sou uma minhoca, como todas as minhocas, apenas tenho algumas particularidades que me fazem carregar a alcunha de Minhoca Pipoca.
Na verdade, depois de tanto dizerem que sou pipoca, descobri que tenho uns pontinhos no meu corpo que fazem uma coceira teimosa que até parece bicho-de-pé. Esse negócio de me chamarem de Minhoca Pipoca me entristeceu muito. Depois me conformei e finalmente estou achando legal: melhor ser minhoca pipoca que ser minhoca boboca!
Minha coleguinha, para me confortar, disse que minha coceira maneira; bicho-de-pé não é, porque minhoca não tem pé!
Há muito tempo, minha mãe se zangou comigo e foi logo dizendo que eu pulava feito perereca sapeca. Só por isso, minha mamãe passou a me chamar de Minhoca Pipoca. Depois disso, nunca mais me esqueci: que sou Minhoca Pipoca –, mais pipoca que minhoca e que minhoca não tem pé.
Foi assim que me resignei em ser Minhoca Pipoca, considerando que aquela vontade de pular nunca passava; coçava..., coçava..., até que automaticamente pulava.
Um dia de chuva; bem nublado, aproveitei que não tinha sol -, minhoca não gosta de luz, e mui curiosa fui movimentando devagarzinho até a superfície do solo (terra). Foi então que encontrei um livro de Júlio Verne, cujo título era: Viagem ao Centro da Terra. Não é que esse livrinho me deu coceira e pulei feito uma pipoca!  
Foi então que me enrolei no livrinho, retorci entre suas páginas e enrolei-me de novo para descansar. Mal descansei, comecei a pular para cima, para os lados, sulcava a terra e voltava de novo à superfície do solo. De repente, fui arrebatada por uma coceira enorme, mesmo não tendo bicho-de-pé. Descobri que eram meus anéis que coçavam, porque eu sou um anelídeo, cuja espécie se denomina Lumbricus terestris.
 Outra descoberta me veio; que eram neurônios que faziam a coceira, visto que, os mesmos enrolavam-se uns aos outros formando bolinhos que se chamam gânglios nervosos. Ora, se tenho gânglios nervosos, sou um ser vivo muito especial e posso fazer muita coisa. Enroladinha no livro observando os claros e os escurinhos, eu descobri que estava diante de um código de sinais que com meus gânglios poderia decifrar. Foi a maior descoberta do mundo das minhocas, que foi acompanhada de uma grande festa, ocasião em que Minhoca Pipoca recebeu o prêmio “Minhoquel” de Biologia e Literatura. 
Uma noite, depois de muitas estripulias e malabarismos da Minhoca Pipoca rotulada de: esquisita, diferente, sistemática, debiloide, quadrada, hermafrodita, autista, superdotada, sindrômica, minhoca prodígio; dei conta que estava há muitos dias embiscoitada, lendo o livro de Júlio Verne – Viagem ao Centro da Terra.
Terra pra mim é tudo; é minha casa, meu ecossistema, meu nicho e habitat. Por isso, vou penetrar no livro até o centro da terra encontrar, sem minha cutícula queimar.
Foi então que comi o livro todo e depois de digeri-lo calmamente, separando: capítulos, páginas, parágrafos, frases, palavras e letras, utilizando o meu código genético, o reeditei do meu jeito. Essa nova edição ficou arquivada em minha mente, que é mente pequena, ganglionar, contudo, mente inteligente que não mente. Foi assim que guardei nas entranhas dos meus neurônios e da minha alma telúrica, genuinamente barro, terra pura -, todas as informações do livro de Verne.
Outros livros li e sobre minha casa muito eu aprendi. Hoje sei por que minha casa; treme, têm vulcões, águas geladas ou quentes. Aprendi que existem três camadas no Planeta Terra: litosfera ou crosta terrestre, manto e núcleo.

 - Litosfera ou Crosta Terrestre: Camada externa e sólida que circunda a Terra. É constituída por rochas e solo de níveis variados e composta por grande quantidade de minerais. A litosfera possui espessura de aproximadamente 72 km abaixo dos continentes,  que recebe o nome de crosta continental, e espessura de aproximadamente 8 km abaixo dos oceanos,  que recebe o nome de crosta oceânica.

 Assim, as rochas que constituem a litosfera podem ser:
 ·    Rochas magmáticas ou rochas ígneas: são formadas pelo magma localizado abaixo das rochas que se solidificam.
 ·         Rochas sedimentares: formadas pelo acúmulo de detritos em locais adequados, provocados por ações erosivas.

 ·  Rochas metamórficas: formadas por rochas magmáticas e sedimentares que sofreram alterações.
- Manto: Trata-se da camada localizada logo abaixo da Crosta Terrestre e estende-se até quase a metade do raio da Terra. É formada por vários tipos de rochas que, devido às altas temperaturas, encontram-se no estado pastoso e recebem o nome de magma.

- Núcleo: Constitui-se da camada mais interna do planeta e representa cerca de 1/3 de toda a massa da Terra. Possui temperaturas altíssimas e acredita-se que seja formado por metais como ferro e níquel, entre outros elementos.                          

Sei que existe um ser humano que mora na superfície da crosta terrestre, que está destruindo o nosso planeta. Por isso, chove menos, a nossa casa está mais quente, o nosso solo mais abafado, pobre e empaçocado. As florestas estão acabando, as tempestades estão aumentando e as garoas diminuindo. Muitas doenças estão aparecendo, lixos e corpos estranhos por todos os lados, os nossos alimentos; contaminados, e os microrganismos, que dão vida ao nosso solo, estão ameaçados e outros em extinção. Para os homens a terra é morta, para nós a terra é viva.

Dizem que os homens são inteligentes, porém, parece que as minhocas cuidam melhor do meio ambiente que os homens. Penso que em cuidados com a vida e com o Planeta Terra é melhor ser minhoca que Homo sapiens sapiens.

 Mais vale um sistema nervoso rudimentar funcionando bem, que um sistema nervoso complexo comprometido pela arrogância, pela ignorância ou pela ganância.

 São estas as palavras finais de uma minhoca que pipoca por uma terra melhor e que jamais tem a intenção de colocar minhoca na cabeça de alguém, sobretudo se esse alguém for ninguém.

                                                                       Autor: Gessé Antônio de Souza: 2014

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Lamento das Minas Gerais



O Lamento das Minas Gerais

Deram seis horas da tarde
Bateu, dezoito horas, o sino
Suou o dia com muito alarde
Soou onipotente o silêncio do destino.

Oh mineiras minas vazias!
Cadê o brilho do ouro?
O preto, o amarelo e o branco das vias?
E as feridas do escravo na alma e no couro?

Agora só há silêncio na poeira
Um gemido pungente e distante na bateia
Muitas voçorocas, ravinas e coceira
Até  onde havia a eira, a beira e ouro na candeia.

O Juiz da História interveio e decretou
Às dezoito horas o sino tocou -, o ouro acabou...
Hoje, em cruenta e cruel sangria o ferro se vai
E tudo se acabará novamente nas Minas, uai...
                                     
                                 Gessé Antônio de Souza : 04-03-2015