segunda-feira, 27 de março de 2017

O enigma das retas




                                  O enigma das retas

Será a cruz o símbolo do encontro de duas retas?!
Que no monte Tabor, se transfiguram em Deus – em amor humano?
Sei que a reta é infinita – enigma da geometria plana
Sei que a reta não tem início, nem fim, sei que pertence a um plano
Sei que a reta passa imaginária, bem ao meu nariz -, que se diz soberano
Reta, quase escapável à abstração da matemática humana
Oh retas infinitas, em infinitos planos, por que passam airosas e discretas?!

Deus também é Reta, que de reto quer o homem salvar!
Homem discreto, ponto da reta, histórico e finito, um ponto...
Homem que tem; passado, presente, e futuro -, que não é conto
Homem, que pelo livre arbítrio, pode escolher ser ponto da Reta – em vida concreta
Homem que pode indiscreto - discrepar-se da reta e ser um ponto fora da meta
Homem incorreto, que negando a força Reta, tornou-se historicamente concreto
Homem de coração duro - malvado, que como meteorito, no Hades há de se chocar.

Fala-se em traição, como se não existisse traição maior
O homem em desamor, como arte de Deus, negar o seu próprio autor!
A Bíblia chama isso de pecado, o que a psiquiatria chamaria de horror!
Mas o homem que escolher a Reta, firme e ereto, só fará ponto reto, pelo cimento do amor
Amor que liga as duas retas na cruz – braço acolhedor de nosso Senhor!
Pode, homem da promessa – existir talento ou possibilidade de escolha melhor?!
                                                             Gessé Antônio de Souza: 14/03/2017

terça-feira, 21 de março de 2017

Ta vendo Mané Corcundinha




 Ta vendo - Mané Corcundinha

      Conta-se que em uma vila qualquer, um determinado cidadão qualquer, sisudo e de meia-idade, ao caminhar ao encalço de uma mula, caíra distraidamente numa cratera acarpetada de espinhos e capins amargos, que lhe renderam cortes e arranhões por todos os lados, ferindo-lhe até a alma. Considerando os fatos ocorridos, não é possível saber quem era mais inteligente; se o homem ou a mula. O certo é que a mula soube se desviar do buraco e nada mais se pode dizer.
         Trata-se de um indivíduo semelhante a muitos outros -, convivas do mesmo caldo da rala cultura local, que a bem da verdade, espalhara-se por todos os lados, desde então, englobando o planeta Terra com uma baba podre e recheada de enxofre. Se por ventura houver homens em outros planetas, não se tem a menor dúvida que esse cidadão lá estará com toda a sua lamentável ignorância e cupidez. Na verdade, esse indivíduo é conhecido, e bem atende pelo nome de Mané Corcundinha, em todo o planeta Terra e fora dele.
       Levado que foi ao aprisco, após o acidente, para tratamento e pensamento de suas feridas, Mané Corcundinha, sequioso e faminto, sorveu primeiramente uma porção de água fresca e depois uma limitada porção de alimento, não tanto quanto desejava, mas o suficiente para iniciar o processo de superação de sua desidratação e fraqueza. Depois de curado, maltratou o enfermeiro que o curou e tentou matá-lo, porque estava, segundo ele, ouvindo vozes de demônios os quais não poderia desobedecer. Mané Corcundinha é assim, ouve sempre a quem não deveria ouvir, e não ouve nunca a quem deveria ouvir, depois reclama de dor de cabeça, dor na coluna, cifose, escoliose, bico de papagaio..., por isso, Mané Corcundinha.
     Mané Corcundinha tem esse apelido por causa do peso que carrega, embora pudesse escolher uma maneira mais leve de viver, mas por força da escolha que faz, sempre preferiu e ainda prefere o pior. Encasquetou-se-lhe na cabeça, que o homem para ser homem, deve bajular; os ricos, os mentirosos, os enganadores, os falsos, os psicopatas e todos os manés corcundinhas do mundo, desde que tenham fama, dinheiro e poder. Além disso, Mané Corcundinha se preocupa demais com a opinião dos outros manés, porque nunca teve tempo para formular suas próprias opiniões e se formula alguma, sempre a considera inferior.  Pode-se perceber, sem muito esforço, que esse Mané Corcundinha, sempre matou e mata os seus melhores amigos, os que querem ajudá-lo, e faz exatamente o contrário com os seus inimigos. Ontem mesmo, Corcundinha, entre Jesus Cristo e Barrabás, com quem você ficou? Ta vendo Mané Corcundinha, porque você sofre!
     Você colocou no poder, para lhe governar, homens do tipo de: Júlio César, Napoleão Bonaparte, Gengis Khan, Ciro o Grande, Carlos Magno, Átila, Tamerlão, Hitler, Alexandre da Macedônia, Stalin, Kim Jong-il e outros que não devo dizer, Mané Corcundinha, porque estão nesse momento no poder, por sua culpa – você votou neles. Sei que não posso enumerar nenhum deles, caso o faça, você poderá me matar, porque estou dizendo a verdade e você gosta de mentiras.
     Manés Corcundinhas brasileiros, agora é com vocês que vou falar. Vocês votam ideologicamente, são incapazes de votar com base em juízos superiores, são cegos guiados pelo cheiro da carniça ideológica, pelo desejo mais vil que se possa ter! São guiados pela lorota salvacionista de políticos ilusionistas e psicopatas que desejam lhe enganar – ora da direita, ora da esquerda. Você, Corcundinha, que acredita em mula sem cabeça, acredita que existem homens superiores que podem burlar as leis da Física, da Química, da Biologia, as leis da Economia, da Moral e as leis de Deus para fazer por você aquilo que nem você tem coragem de fazer por si -, por isso, você vota neles. Estou mentindo? Então observe os fatos atuais, ou você não é capaz de observá-los, ou quem sabe tem medo de tomar essa decisão? Sabe Mané Corcundinha, por que você faz isso, é porque você tem medo de encarar a realidade, prefere a droga da ilusão. Meus pêsames, mas sou obrigado a lhe dizer que essa droga vai lhe fazer andar de quatro, e você sentirá saudades do tempo em que você era corcundinha, perdido nas colunas e nos porões da Notre Dame ideológica, que você nunca quis deixar. Toda droga traz prazer imediato e mata o seu futuro, Mané Corcundinha, entenda isso!
       Mané Corcundinha, penso que estou perdendo tempo com você, contudo vou lhe dizer mais uma coisa: você reclama dos políticos ladrões, não obstante, você votou neles e sabe muito bem por quais interesses escusos votou. Já que você parece que está me escutando, vou lhe dizer mais uma coisinha – não me leve a mal, mas quando um caminhão tomba na estrada e a vítima está ainda sangrando, lá está você saqueando a carga do caminhão! Então eu lhe pergunto, por que você faz isso e ainda critica os políticos ladrões? Desisto de você Mané Corcundinha, vá embora e não me pergunte mais nada, por favor! Você não é sério. Vem cá, Mané, ia me esquecendo -, você me perguntou por que faltam recursos para a saúde e para a educação. Vou responder mais essa pergunta e pronto. Faltam recursos, Corcundinha, porque você contrata e paga caro policiais para lhe vigiar -, vigiar você de si mesmo e de seus desejos compulsivos. Eu lhe pergunto: Por que você precisa ser vigiado? Por favor! Não me responda.
                                                                                         Gessé Antônio de Souza: 19/03/2017.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Crise do lado

Crise do lado



Sou um segmento de reta que:
No ângulo, sou ângulo
Curvado na esfera, posso ser biângulo
No triângulo, triângulo..., sou!
No quadrado, sou quadrado
Sou no pentágono, um pentágono.

Sou um segmento de reta que: no hexágono, sou hexágono...
Por isso, sou um polígono qualquer
Sempre um lado, ao lado de outro lado?!
E se reduzido a um ponto, quando tiver infinitos lados ao meu lado?
Neste caso, por outro lado, que de infinitos lados ou pontos, sou enfim uma
Bela circunferência! Que mais não tem lado, porque cada lado é um ponto.

Afinal de contas, na matemática das contas, ainda sou eu
Sou isso e sou aquilo, sou reta, circunferência e ponto
Desse ponto de vista, reta, circunferência ou ponto -, parecem conter a mesma conta
Se não a contém, vamos fazer de conta!
Porque isso, ao prestar contas, nos fará muita conta
Por que; eu sou Eu, você é Você e ele é Ele, contas da mesma conta!


                                                                                                            Gessé Antônio de Souza; 12/03/2017

segunda-feira, 13 de março de 2017

Logos existencial


Gasto um tempo
Para entender a pedra
Como a pedra não muda por mim
Mudo eu no entendimento à pedra.

Gasto um tempo
Para entender o rio
Como o rio não muda por mim
Mudo eu no entendimento ao rio.

Gasto um tempo
Para entender o clima
Como o clima por mim não muda
Mudo eu para viver no clima.

Gasto um tempo
Para entender o homem
Como o homem por mim não muda
Mudo eu para me fazer humano.

Gasto um tempo
Para entender o mundo
Como o mundo por mim não muda
Mudo eu para relacionar-me com o mundo.

Mais inteligente que tentar mudar as coisas
É mudar-se taticamente, sem se perder não coisas
Para preservar inocente e pudica essência
Há que se permitir mudar sintaticamente a existência!
                                                          Gessé Antônio de Souza: 12/03/2017

segunda-feira, 6 de março de 2017

Viver é preciso


                                                                                Viver é preciso

Não preciso de nada
Preciso somente aceitar
Para a vida me querer, me adotar
A vida é hirta, é pedra, mas é muito amada!

A vida me coteja
A vida é pavão que me corteja
Não sei: se me encolho ou se abro meu braço,
Se corro, se escondo ou se faço pirraça, mas quero o seu abraço!
Meu Deus!  Será que consigo, sem embaraço, me lançar em seu paço?

A vida é engraçada ou desgraçada!
Não muda nada por mim? Mãe desalmada!
                                    - Não posso mudar meu filho! Eu sou o que sou.
Sou pedra, que nasce água, que jorra leite e borbulha mel
O segredo é seu, tire o véu; para que ganhe a vida, o respeito e o céu!

Viver é preciso! Não quero me resignar!
Sou filho da pedra, filho da dor, mas posso me salvar!
Não sou quimera, por isso posso mexer sem me desconfigurar.
E minh'alma? Posso conservar! E que meu corpo sambe e a vida muito me ame...
Oh vida! Mesmo sendo pedra quero em seu braço, sem medo sempre me lambuzar!
                                                                                           
                                                                                   Gessé Antônio de Souza:  10/02/2017