Mosaico filosófico VII
1- O maior desafio da democracia é ampliar o campo da
aceitação entre desiguais, permitir que a confiança e o respeito se estabeleçam
nesse campo, e dar ocasião para que a liberdade possa permear as relações
sociais, entre diferentes.
2- Amar é aceitar o outro como legítimo outro, incluindo-o
no campo da convivência mútua, não levando à promiscuidade o ser e o agir desse
outro. É mister considerar que o agir dos homens pode ser apenas uma expressão
momentânea e circunstancial do ser. Desqualificá-lo a priori, significa simplesmente,
estupidez.
3-
Se o homem
deixar de ser ele mesmo e o outro - em sociedade, num dado momento, esse homem,
perplexo, olhará para si e para a sociedade, e esta para ele e ambos sentirão vergonha
de si e um do outro – então, será o fim da odisséia humana.
4-
A consciência ou culpa ecológicas tentam salvar: a
terra, os rios, os riachos, do livro vermelho os seres vivos em extinção - como
se eles estivessem doentes. A doença não é da natureza, está antes na condição
humana, que se salva, tudo poderá salvar. Para salvar o planeta, basta salvar o
homem do orgulho, da miserabilidade; moral, social, política e educacional.
5- O problema do darwinismo não está propriamente no
evolucionismo, mas na apropriação ideológica deste, em favor de um naturalismo frequentemente
ingênuo e reducionista, ambos ideologicamente perigosos, ameaçadores da vida e
lesivos à ordem democrática.
6- Podemos consertar o mundo, porque nossas mãos podem
alcançar a solução possível - entre muitas prováveis, que está dentro de
nós, sendo a única eticamente correta.
7- O ser humano é
gregário e prefere viver entre espelhos, se contemplando. Por isso, tudo que é
diferente de si ou de seu grupo de pertencimento causa estranhamento, medo e
não admiração. Essa claustrofilia
conforta o corpo, mas adoece e apodrece a alma humana.
8-
Deus deu ao homem dois olhos para enxergar. Durante o
dia, o sol faz ver os olhos que podem nutrir a razão, e à noite, a lua alumia e
motiva o caminho do coração. Melhor vê e caminha aquele que à noite trilha,
guiando-se à luz do coração.
9- Deus, certamente habita no lugar geométrico de um
polígono regular cósmico de lados infinitos. Cada ser humano situa-se nos
vértices desse polígono, que tende à circunferência. Os vértices se ligam diametralmente
através de diagonais que passam pelo centro (Deus), determinando a união
amorosa dos homens. Se os homens afastarem-se de seus lugares angulares, as linhas
que os unem determinarão um epicentro confuso e difuso, causador de graves
sintomas de confusão ético-moral.
0- Os alimentos nutrem o corpo, se forem; ingeridos,
digeridos, absorvidos e ressintetizados na maquinaria celular do organismo. Os
pensamentos alimentam a alma e estes, como aqueles, carecem de digestão,
absorção e ressignificação, para que possam alimentar e não envenenar a alma
humana.