terça-feira, 30 de maio de 2017

Lampejos do pensamento

1-     Tenho visto moscas e gulosas larvas biontófagas nas feridas da moribunda sociedade proclamando-se médicas desta injúria tecidual. Grande ilusão, pois quanto mais ativas forem as moscas - maior o número de larvas que tornarão a rotura social ainda maior e mais fétida a ingênua sociedade.

2-     Não devemos fazer ouvido mouco à história, mas ouvir sua voz, não para revivê-la ou repeti-la ingenuamente, mas para tomar seus despojos e construir o agora e antever o futuro.

3-     O presente é a flecha lançada pelo passado que simultaneamente se converte em arco do futuro, em suas próprias mãos – o arqueiro. Arco, flecha e arqueiro se confundem na conquista  individual e da coletividade, em todo o percurso da história.

4-     Verdades são flores que se permitem murchar para dar lugar a outras verdades mais belas no percurso da história. Por isso, as verdades não são dogmas.


5-     O passado engravida o presente à semelhança do boto, e o presente impacta o futuro de modo intransferível, considerando que aquilo que se faz hoje, à sorrelfa, inflexionará o amanhã.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Muro

Muro

Queria beijar você
Há um muro
Queria abraçar você
Há um muro
Queria passar pra dentro
Há um muro
Queria lhe ver: por fora e por dentro
Há um murro
Muro da vergonha
Muro sem vergonha...

Queria lhe tocar
Há um muro
Queria ser tocado
Há um muro
Queria lhe falar
Há um muro
Queria lhe ouvir
Há um muro
Queria lhe amar
Há um muro, há um muro, meu Deus, há um muro!...

Muro da vergonha, muro sem vergonha
Muro que não cai, assim, mais duro que o muro de Berlim
Muro assim, muro assim -, ainda mais duro que muro de Berlim!...

                                                                              Gessé Antônio de Souza - 16/05/2017

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Mosaico Filosófico 08



1-     Se não pudermos cultivar o trigo, cultivemos a alegria, por que a alegria alimentará a alma e esta o corpo, porque ambos plantarão novos campos e outras sementes.

  2_   Deus é onipotente, onisciente, onipresente. Por isso, todas as manifestações religiosas particulares merecem respeito, porque podem ser a potência, a ciência e a presença, subjetivas, do Deus único e universal.

3-      Não existem pessoas violentas, silenciosas, tristes ou doentes. O que existe, são vidas violentadas, silenciadas, entristecidas ou adoecidas à mercê de condições degradantes.

4-     Ninguém é maior que a vida para desdenhá-la no outro, ou menor para sentir-se sozinho. A vida de dentro não é diferente da vida de fora. Por isso, para cultivar a vida de dentro, basta cultivar a vida de fora, na reciprocidade.

5-     Os verdadeiros sonhos não nasceram para serem realizados, somente para serem sonhados. Se os sonhos forem realizados perfeitamente, é porque foram pequenos e nós não soubemos sonhar. As realizações não existem sem sonhos, porém, são sempre concretizações imperfeitas dos nossos sonhos.

6-      É possível e urgente criar outro mundo, porque impossível é viver neste mundo; carcomido pela injustiça e pela miséria, desumano, envelhecido e caduco.

7-      Pungente, perfure e fure o crânio humano, penetre surdo e silenciosamente na alma com palavras de carinho, e lá encontrará intactos os neurônios, que esperam ser tocados para que possam tocar a mais bela música neural, a sinfonia do coração – O Amor.

8-     A vida externa, às vezes, é dura como a pedra e se conspira em impiedoso estilingue. Nosso sonho, como um pássaro atingido sem pena, vê suas penas se esvoaçando ao vento, e cada pena voa sem pena, por que para o grande ser, não vale à pena ter pena. O que vale, é agigantar-se no novo sonho que se sonha, parodiando a fênix nos céus da beleza e da esperança.

9-     Se no mundo você se sentir sozinho e louco, cometa todas as loucuras, mas nunca cometa a loucura de sentir-se são, porque em se cavalgando nesta falsa saúde, terá trocado o caminho da livre subjetividade pelas veredas do hospício coletivo.

10- O presente é um frágil sanduíche comprimido entre dois monstros: o passado e o futuro. Se quisermos consertar o passado, temos necessariamente que intervir no futuro através de ações inteligentes e planejadas, enquanto o futuro se faz passado, através da tenra membrana do presente.