1-
Se não pudermos cultivar o trigo, cultivemos a alegria,
por que a alegria alimentará a alma e esta o corpo, porque ambos plantarão
novos campos e outras sementes.
2_
Deus é onipotente, onisciente, onipresente. Por isso,
todas as manifestações religiosas particulares merecem respeito, porque podem
ser a potência, a ciência e a presença, subjetivas, do Deus único e universal.
3-
Não existem
pessoas violentas, silenciosas, tristes ou doentes. O que existe, são vidas
violentadas, silenciadas, entristecidas ou adoecidas à mercê de condições
degradantes.
4-
Ninguém é maior que a vida para desdenhá-la no outro,
ou menor para sentir-se sozinho. A vida de dentro não é diferente da vida de
fora. Por isso, para cultivar a vida de dentro, basta cultivar a vida de fora,
na reciprocidade.
5-
Os verdadeiros sonhos não nasceram para serem
realizados, somente para serem sonhados. Se os sonhos forem realizados
perfeitamente, é porque foram pequenos e nós não soubemos sonhar. As
realizações não existem sem sonhos, porém, são sempre concretizações
imperfeitas dos nossos sonhos.
6-
É possível e
urgente criar outro mundo, porque impossível é viver neste mundo; carcomido
pela injustiça e pela miséria, desumano, envelhecido e caduco.
7-
Pungente,
perfure e fure o crânio humano, penetre surdo e silenciosamente na alma com
palavras de carinho, e lá encontrará intactos os neurônios, que esperam ser
tocados para que possam tocar a mais bela música neural, a sinfonia do coração
– O Amor.
8-
A vida externa, às vezes, é dura como a pedra e se
conspira em impiedoso estilingue. Nosso sonho, como um pássaro atingido sem
pena, vê suas penas se esvoaçando ao vento, e cada pena voa sem pena, por que
para o grande ser, não vale à pena ter pena. O que vale, é agigantar-se no novo
sonho que se sonha, parodiando a fênix nos céus da beleza e da esperança.
9-
Se no mundo você se sentir sozinho e louco, cometa
todas as loucuras, mas nunca cometa a loucura de sentir-se são, porque em se
cavalgando nesta falsa saúde, terá trocado o caminho da livre subjetividade
pelas veredas do hospício coletivo.
10- O
presente é um frágil sanduíche comprimido entre dois monstros: o passado e o
futuro. Se quisermos consertar o passado, temos necessariamente que intervir no
futuro através de ações inteligentes e planejadas, enquanto o futuro se faz
passado, através da tenra membrana do presente.