Vida e Morte
Plangeu-me à
morte o óbito do minuto
Alegrou-me
muito o minuto que nascia.
Chorei
enquanto morria a hora
Alegrou-me
às tanajuras a hora que nascia
Lastimei à
morte a morte do dia...
E alegrou-me
à criança o dia que nascia.
Chora-se com
choro de morte a morte da semana
Para
alegrar-se de renovo na semana nascente.
Chora-se
copiosamente o mês fenescente -, poente
Para alegrar-se
festivamente o mês oriente.
Choraminga-se
triste o ano velho e moribundo
E alegra-se
delirantemente o ano novo e mui fecundo.
Meu coração
chorou muito na sístole
Por causa do
sangue que perdia
Para
alegra-se na diástole
O sangue que
recebia.
Ao nascer,
chorei o útero que me partia
Porque para
ele eu não nasceria.
Morreu minha
infância e transformou-se em poesia
Nasceu a
adolescência, cheia de fantasia
Também ela
morreu delirante, em medonha agonia...
E nasceu o
adulto de indulto, que se extasia
Ao voar,
meio que perdido, à cotovia.
No pêndulo
do nascimento e da morte
Balança a
mesma vida.
Na onda azul
do mar
Veem-se uma
crista emersa e outra submersa
Que se
esfumam com fervor no mesmo cais.
Morte-vida
são asas vivas da vida
São
antípodas alucinadas da existência alada
Que com asas
d’águia e com narinas de corcel busca-se o céu -, a Essência – Deus.
Gessé Antônio de Souza – 10/12/2013
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