sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Vida e Morte

Vida e Morte

Plangeu-me à morte o óbito do minuto
Alegrou-me muito o minuto que nascia.
Chorei enquanto morria a hora
Alegrou-me às tanajuras a hora que nascia
Lastimei à morte a morte do dia...
E alegrou-me à criança o dia que nascia.

Chora-se com choro de morte a morte da semana
Para alegrar-se de renovo na semana nascente.
Chora-se copiosamente o mês fenescente -, poente
Para alegrar-se festivamente o mês oriente.
Choraminga-se triste o ano velho e moribundo
E alegra-se delirantemente o ano novo e mui fecundo.

Meu coração chorou muito na sístole
Por causa do sangue que perdia
Para alegra-se na diástole
O sangue que recebia.
Ao nascer, chorei o útero que me partia
Porque para ele eu não nasceria.

Morreu minha infância e transformou-se em poesia
Nasceu a adolescência, cheia de fantasia
Também ela morreu delirante, em medonha agonia...
E nasceu o adulto de indulto, que se extasia
Ao voar, meio que perdido, à cotovia.

No pêndulo do nascimento e da morte
Balança a mesma vida.
Na onda azul do mar
Veem-se uma crista emersa e outra submersa
Que se esfumam com fervor no mesmo cais.
Morte-vida são asas vivas da vida
São antípodas alucinadas da existência alada
Que com asas d’águia e com narinas de corcel busca-se o céu -, a Essência – Deus.

Gessé Antônio de Souza – 10/12/2013


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