segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Homenagem à chuva

La Niña

La Niña, venha menina e me nina, por favor!
Já não aguento esse El Niño, de tanto calor
Que vem esquentando com  bruto rigor
Queimando-nos com tanto horror...
Venha menina, nos ninando
Com chuva e amor.

A floresta clama
O olho d’água a chama
O fogo em chama, não a reclama
A vaca sem leite e o bezerro sem deleite
O carneirinho pudico, tanta fama, nem ele mama!
Venha La Ninã fazendo chuvica, minha dulcíssima dama.

Por que foi embora, minha aurora de cor e de frescor?
Por que foi embora minha áurea aurora de amor!
- Porque minha partida e mui cíclica lida
Ensina aos homens - o mais bruto
Que meu fazer aparta o luto
Porque sou a vida
Vida-amor, Vida-água, Vida-esperança, Vida-flor
Que exorciza e afasta o sofrimento e a dor.


                                                                                      Gessé Antônio de Souza – 20/09/2016

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