quinta-feira, 27 de julho de 2017

Choro na via



Choro na via


Vi um automóvel voando feito asterisco

Não sei se áster cadente ou avião

Passou vermelho feito risco de curisco

Jato de gasolina plus, adrenalina e emoção!


Vi o automóvel emoção, flutuar-se ao chão

Vi a adrenalina, vi o menino e a menina

Vi a mãe e o pai debruçados, sem ação

Vi um filete de sangue quente escorrendo pela mão.


Sangue inocente e culpado, paradoxalmente misturados

Sangue puro e bom, escorrendo meio que sem jeito, pelo peito

Não sei meu Deus! - Foi a sina ou a imprudência assassina?

Eu sei que se perdeu vida, vejo a orfandade da menina.
 

Vejo seu pranto sujo de lágrima, de terra e capim

Que perfura meu coração, de modo tão ruim!

Por qual razão, neste instante, estou aqui

Se Isso jamais é cena pra mim!

Gessé Antônio de Souza – 16/07/2017

Um comentário:

  1. Este texto, embora chocante, tem o objetivo de tocar os cidadãos, que ora são motoristas ou pedestres, em situação de trânsito. O mesmo baseia-se em fato real, visto pelo autor, e paradoxalmente retratado na forma de poesia. O general romano, quando aclamado pelo Senado - Imperador Romano, durante o Ato de Aclamação, ouvia durante o cortejo ao receber uma Sálvia de Prata, as seguintes palavras: Lembra-te que és mortal! Digo ao motorista, que ao sair de casa no mais potente carrão: Lembre-se que é mortal, lembre-se que é mortal,você e sua família! Prudência o levará até o fim da viagem e então receberá uma salva de palmas de seus familiares e amigos. Um abraço motorista!

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