Quem sou eu?
Sou muitos: sou o que
sou, sou o que penso ser, sou o que pensam de mim. Posso ser aquilo que não
pensam de mim e ser aquilo que não penso de mim. Quanto ao ser ou o não ser,
trata-se de uma questão tão complexa quanto à origem do universo, considerando
que, as múltiplas percepções de cada um são caricaturas ou sombras da realidade
do ser.
Sei que cada qual que me
conhece faz uma determinada caricatura de mim, e o que é pior, eu mesmo me vejo
nublado segundo rótulos e adesivos que colocam em mim. Sei que as caricaturas
de mim são modos de desenhar alguém com base no jeito que cada um tem de
perceber as coisas, do mesmo modo como existem maneiras diferentes de conhecer
alguém. O jeito daqueles que não me conhecem podem ser jeitos do desconhecimento
de cada um, considerando que, existem muitas formas de desconhecimento daquilo
que não se conhece. Contudo, o conhecimento não é o bastante para se conhecer
alguém, porque o que importa é o conhecer bem, isto é, conhecer profundamente. Como conhecer bem, a alguém, é impossível,
resta-nos acreditar que as pessoas são do bem, com base na congruência
essencial da vida. Por isso, a fé é virtude cardeal quando a razão não consegue
dar direção e sentido à vida.
Desconfiar do
conhecimento é sempre bom, visto que, aquilo que se julga conhecer muda e
dependendo do tempo e do espaço do “conhecido” ou de quem se diz conhecedor, as
visões e percepções são completamente outras, porque se está diante de novos
cenários, haja vista, ser a vida um mosaico em movimento, frequentemente
randômico.
No processo de
conhecimento, o desconhecido é frequentemente maior que o conhecido, e o
conhecido fica, de algum modo, impactado, quando passamos a agregar ao campo do
conhecido àquilo que pertencia ao campo do desconhecido. Isso é verdadeiro,
considerando que a presença ou a ausência de um ser, seja ele qual for, impacta
ou altera a configuração do ambiente ou do campo onde se situa o observador. Se
existe algo e não se percebe sua presença, conclui-se que o observador está diante
de uma visão caricatural de si e da realidade que o envolve.
Muitas vezes nos
decepcionamos com pessoas ou com coisas, porém, tal desencantamento resulta do
nosso desconhecimento e não das pessoas ou das coisas que julgamos nos
decepcionar. A decepção não está aprioristicamente fora de nós, a mesma reside
no nosso desconhecimento a respeito daquilo que julgamos conhecer, considerando
que, todo conhecimento, seja ele falso ou verdadeiro, nos impõe determinadas
expectativas a respeito daquilo que supomos conhecer. Sendo assim, não devemos
nos irritar com os outros ou com a realidade, apenas devemos buscar o
conhecimento para que possamos nos desapontar menos, visto que, as nossas
expectativas carecem de maior aproximação com a realidade, para que, as possibilidades
de desapontamento sejam mínimas no decurso do nosso relacionar.
Ao fim e ao cabo, o
que sobrou de mais importante se declina: que a decepção com a vida ou com
quaisquer pessoas ou objetos que nos cercam deriva, a priori, do nosso desconhecimento -, em outras palavras, da nossa
própria ignorância. É muito perigoso transformar o universo percebido em Universo real.
Tentamos, de modo breve,
beliscar no ego humano, que a priori e
egoisticamente se coloca como uma personalidade permanente, relutante em fazer
mudanças e passagens no transcurso da vida, frequentemente negando a ação
permanente do meio sobre o destino humano e a ação do tempo, que embora
visível, se rejeita, ao utilizar-se dos recursos da cosmética, por não se
entender a ética do cosmos.
Uma simples equação pode
resumir tudo que estamos tentando dizer, a saber:
Informação ..... Conhecimento ..... Sabedoria ..... Atitude ..... Bem viver.
“O universo não é uma ideia minha. A
minha ideia de universo que é uma ideia minha. A noite não anoitece pelos meus olhos. A minha ideia
da noite é que anoitece por meus olhos.” (Fernando Pessoa).
Gessé Antônio de Souza; 14/02/2016
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