segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Mosaico filosófico/05

1-      A obediência esclarecida é a grande virtude dos povos, todavia, a obediência estulta é o opróbrio das nações.

2-      Se as flores do campo fazem pesados investimentos traduzidos em perfumes e cores, para que tenham visibilidade, por que estranhamos os adolescentes, que tudo fazem, para que sejam visíveis, reconhecidos, respeitados e amados?

3-    Ao se esculpir uma obra, saiba que é simultaneamente escultor e escultura. Em si esculpindo, a obra especularmente também esculpe, de tal modo que, num dado momento, ao se olhar para a obra ou para o autor, não é mais possível reconhecer um e outro.

4-      Nossos pais ao morrem, não morrem, apenas entram silenciosamente dentro de nós, e em escapando aos nossos sentidos, existencialmente desaparecem. Logo depois ressurgem mais belos - quando se percebe que a morte foi apenas uma ilusão – ao contemplá-los vivos em cada célula nossa e essencialmente nas entranhas da alma nossa, moldando o nosso viver.

5-    Somos indivíduos, nem tanto divisos, porque estamos aparentemente separados e profundamente ligados por aquilo que não vemos e às vezes nem sentimos.

6-    Se diz fraco e maluco - àquele que mutila o corpo para esconder a cor da pele, ou àquele que mutila a alma para esconder o que lhe é próprio, mas não se diz maluca e débil a sociedade que cruelmente tudo discrimina.

7- Desconfio que as células também linguageam com o meio ao adaptarem-se geneticamente. Quando se diz mutação aleatória, trata-se de derivas genéticas oriundas da linguagem meio-célula. Quando cessa o diálogo, as células somáticas se envelhecem e as células gaméticas dão origem a organismos inaptos que se extinguem, porque nascem para um mundo que não existe mais.

8-    Os inteligentes aprendem muito, baseando-se somente em seus acertos. Os mais inteligentes aprendem muitíssimo, com base em seus acertos e erros. Os inteligentes e espertos aprendem, inclusive, com base nos erros alheios.

9-  Não é necessário que o mecânico conheça a história de um motor para compreender o seu funcionamento, contudo, não é possível compreender o ser humano sem levar em conta a sua história pregressa.

0-  Um vento boreal, austral, qual vento... -, podem em qualquer momento, no momento da paina dispersar – soprar forte, lento ou feito tormento e tudo levar. Quais plumas de paineira são nossos filhos, que soprados à vida, fazem diferentes histórias no mosaico da existência, restando-nos apenas o acompanhamento.
                                                           
                                                                         Autor: Gessé Antônio de Souza/2013

                                                                                               




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